Exposição: Cristina Canale
Banhistas23 de março, quinta-feira, 19h
Silvia Cintra Galeria de Arte
www.silviacintra.com.br
Exposição até 21 de abril de 2006
Entre 1980 e 1983, Cristina Canale, 44 anos, estudou desenho e pintura na E.A.V. - Parque Lage, Rio de Janeiro. Em 1993, ganhou bolsa do governo alemão para a Academia de Artes de Düsseldorf e fixou residência no país.
Sua estréia nas artes plásticas aconteceu em 1984, na coletiva, hoje histórica, Como vai você, Geração 80?, no Parque Lage, RJ.
Neste conjunto de sete telas, de médios e grandes formatos, em acrílica, óleo e bastão de óleo sobre tela, predomina a figura humana, à exceção de uma, que funciona como contraponto. É a primeira vez que Canale usa o humano em movimento, como um “elemento instantâneo”.
Ela justifica que assume agora “o pathos da fotografia como linguagem” e confirma a atitude batizando de “Paparazzi” um dos trabalhos.
A referência à água é também um elemento comum a todas as telas: as figuras estão ou estiveram no mar, na piscina ou portam trajes de banho.
Cristina parte de pequenos desenhos de observação e de fotos clicadas por ela própria sem qualquer ambição. Ela prefere que os registros sejam casuais, a partir dos quais retrabalha, recorta, monta segmentos de uma com o fundo de outra. Os registros fotográficos servem como memórias afetivas para a etapa pictórica, quando essas passam por um processo de dissolução do realismo para entrar no “mundo da pintura”, define.
- Acho que os quadros propõem um diálogo entre a refêrencia real - das fotos e dos esboços, e a do retrabalhamento das imagens que valoriza sua ‘pictoricidade’, diz Canale.
A manipulação dos elementos gráficos se dá de forma que a estrutura das cores fique bem clara e específica. É ela que, junto com a composição, dá o ritmo das relações espaciais, a ambigüidade entre a imagem chapada e, ao mesmo tempo, a espacialidade.
O título Banhistas, além da remissão à situação geo-psicológica das figuras, alude à história da arte, já que é tema recorrente em tantos artistas, como Cézanne, Ingres, Picasso etc. Canale diz não citar nenhum deles diretamente, mas avalia que pode ter usado o tema por motivo semelhante: a relação do corpo com a natureza, a situação semi-social do banhista, um momento entre a civilização e a natureza.


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