quinta-feira, junho 15, 2006

"Há dias que parecem uma batalha exalando vapores sangrentos. Agora a noite profunda, só que não para mim, mas para os outros, para os embotados que não percebem a batalha. Fazem música, canções leves, vulgares. Depois se deitam.
Não encontro o sono. Em mim ainda arde o fogo, sinto-o queimar aqui e ali. Procurando a janela para me refrescar, vejo que tudo lá fora se extingue. Só ao longe ainda vislumbro uma pequena janela com luz. Existe lá um outro? Um lugar deve haver em que eu não esteja completamente sozinho! E posso ouvir o som de um velho piano, gemidos do outro, perplexo como eu."

Paul Klee, 1908.