quinta-feira, junho 22, 2006



laboratóriodeartesvisuais: um espaço experimental, público e gratuito, para o desenvolvimento de percursos na área das artes visuais. por ser de caráter individualizado, o exercício da arte requer conhecimentos que diferem de processo para processo pessoal, ou seja, cada pessoa necessita de um conjunto específico de experiências e saberes para realizar um percurso no campo da arte. conhecimentos que frequentemente extrapolam este campo. por exemplo: pode-se iniciar o contato com arte via desenho ou performance, estudando um artista barroco ou um contemporâneo, um artista pode reunir em seu trabalho elementos da música e do cinema; essa realidade indica que não uma base comum pré-estabelecida para o exercício da arte. por ser um projeto-piloto, queremos deixar claro o caráter aberto do laboratóriodeartesvisuais e sua possibilidade de mudança no decorrer deste primeiro ano de trabalho, e, principalmente em sua continuidade nos anos seguintes, quando teremos mais dados para estudar sua viabilidade como instância de formação em arte.

ECA [Escola de Comunicação e Artes] / USP

quinta-feira, junho 15, 2006

Fevereiro/2006 : Últimas fotos da pintura na Garagem/Ateliê de Pelotas

Ressonâncias da Pesquisa - mais um blogue

Minha turma do Mestrado criou, por sugestão da profª Maria Ivone, um blog aberto para a turma, que deverá contemplar assuntos diversos de aulas, pesquisas individuais, sugestões, idéias, recomendações, etc.
"Há dias que parecem uma batalha exalando vapores sangrentos. Agora a noite profunda, só que não para mim, mas para os outros, para os embotados que não percebem a batalha. Fazem música, canções leves, vulgares. Depois se deitam.
Não encontro o sono. Em mim ainda arde o fogo, sinto-o queimar aqui e ali. Procurando a janela para me refrescar, vejo que tudo lá fora se extingue. Só ao longe ainda vislumbro uma pequena janela com luz. Existe lá um outro? Um lugar deve haver em que eu não esteja completamente sozinho! E posso ouvir o som de um velho piano, gemidos do outro, perplexo como eu."

Paul Klee, 1908.

Ainda sobre o vídeo (*e processos criativos)

Acho que além da experiência interessante de ter trabalhado com uma mídia/meio completamente diferente dos quais estou acostumado, acredito que isso também me estimula no sentido de levar minha produção própria adiante. Eu me refiro ao fato de já estar pensando - há um certo tempo, é verdade - em elaborar outros trabalhos, realizados em outros meios, de outras maneiras das que costumo utilizar/fazer.

Outros fatores que têm me estimulado também são a (não tão) constante (assim - mas ainda mais do que em Pelotas) visitação à exposições, o contato frequente com outros artistas e com suas reflexões, discussões e - este é importante - o que percebi na palestra da Regina Silveira (que aconteceu há mais de um mês no Instituto de Artes).
O que percebi foi o quanto ela "recicla" seus trabalhos, suas idéias, os elementos de trabalhos passados. E não digo isso de uma maneira negativa, de forma alguma, na verdade é exatamente o contrário. A partir dessa percepção me dei conta de que não preciso "inventar a roda" a cada novo trabalho ou 'empreitada criativa'. Ou seja, começar a re-empregar de maneira inteligente todo "banco de dados" dos trabalhos anteriores. (Coisa que comecei por exemplo a fazer no vídeo do C.D.M., onde usei trechos sonoros da instalação "imersões noturnas").

Vídeo do Coletivo C.D.M.



Nesse final de semana acabei de editar/montar/finalizar o primeiro trabalho em vídeo-arte que tive a oportunidade de fazer.
O trabalho será inscrito no 5º Vaga Lume - Mostra de Vídeos do Instituto de Artes/Porto Alegre. Agora ficamos na torcida para que ele seja aceito.
É importante mencionar que não foi realizado somente por mim, também estiveram envolvidos Leonardo Furtado e Eduardo Silveira, que integram o grupo. O vídeo faz parte da instigadora produção do coletivo do qual também faço parte - C.D.M. / Centro de Desintoxicação Midiática.

O trabalho intitula-se "Re-Ações Públicas", tem 2 minutos e 50 segundos de duração, e sua 'sinopse' é a seguinte:

"Imagens e impressões rápidas e fugazes subseqüentemente sobrepostas umas às outras, tomadas diretamente a partir do tecido urbano. Sons midiáticos aleatórios e vinhetas de caráter inusitado criadas e elaboradas pelo coletivo C.D.M.
Tratam-se de diversas conjunções de passagens perceptivas que instauram uma reflexão breve e efêmera sobre a cidade, suas vias de circulação, seus entremeios visíveis e invisíveis, remetendo assim também às atividades sistemáticas realizadas pelo coletivo, intituladas "Re ações Públicas". Uma tentativa de resgatar de certa forma nos dias de hoje - numa atitude frenética e claramente paradoxal - a figura do flaneur."

"Leituras de Portfólios" / Santander Cultural

Na última semana tive meu "encontro" no Santander Cultural com Anna Bella Geiger e foi muito, muito bom! Ela viu aspectos coerentes em meu trabalho, disse que o que faço não tem um interesse propriamente na pintura (na verdade, quase um descaso com o meio da pintura) e que na verdade trata-se mesmo de uma atitude conceitual. Fiquei feliz que ela tenha percebido assim, é bem o que anda se colocando na minha pesquisa atualmente

Ao final, ela indicou várias leituras (textos de Gerhard Richter e Wittgenstein), mas que, independentemente de novos conhecimentos, segundo ela tenho consciência de onde estou com meu trabalho - que segue muito bem encaminhado

Uma das coisas mais interessantes e curiosas da conversa foi a relação direta que ela estabeleceu entre meu trabalho (as fotografias da pesquisa interferências entre transposições) e os filmes do diretor David Lynch - algo sobre a representação de uma cena/sequência aparentemente óbvia e banal, mas que na verdade revela-se extremamente misteriosa e portando uma série de sentidos latentes, potencialmente perversos.